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quarta-feira, 9 de março de 2011

ADEUS, CARNAVAL.









Carnaval acabou. Foi muita chuva, suor e cerveja. Deixo aqui meu até mais para Magali, a francesa, seu filho Leo Pimentinha, pra Nenna, Rubinho e outros barrenses ilustres do Jucu. Cabe bem a marcha "Chuva, Suor e Cerveja" de Caetano com essa animação pós moderna carnavalesca. Ficam também alguns registros desse encharcado carnaval. Bye, bye, Jucu.

terça-feira, 8 de março de 2011

PULANDO NA CHUVA.


Mesmo com todo calor da animação é água fria na certa 4 dias de chuva. Carnaval sem carnaval de rua não é carnaval. A gente cansa e desanima e ainda por cima vem até gripe junto.
Até o próximo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

OUTROS CARNAVAIS.


Se no berço do samba tem carnaval, no berço do jazz também tem. Carnaval é carnaval. Simples, não ?

domingo, 6 de março de 2011

CARNAVAL E CARNAVAIS.




Vitória já teve seus carnavais famosos. Hoje o carnaval agoniza na ilha. Talvez possa ser influência de ter-se adiantado a data em uma semana para o desfile das escolas de samba. Talvez. Há 50 anos, um pouco mais, um pouco menos, Vitória fervia durante o carnaval. Os clubes tradicionais abriam seus salões desde as tardes de sábado: Clube Vitória, Saldanha da Gama, Náutico, Álvares Cabral. As orquestras eram comandadas por Mundico, Clóvis Cruz. Maestro Antônio Paulo, Maurício de Oliveira, Edson Quintaes, Maestro HO, Luizinho Taj Mahal. Era tradição na quarta-feira de cinzas pela manhã descer a orquestra do Álvares Cabral, quando sua sede era na praça Costa Pereira, e enterrar o carnaval na praça, já sob sol quente. Nas manhãs de sábado blocos sujos ocupavam as ruas.

O centro da cidade era uma multidão fantasiada dançando ao som de sucessos que saiam dos alto-falantes presos nos postes. Havia o tablado, ora na Praça Oito, ora na Esplanada, onde concentrava-se o chamado povão. A praça Costa Pereira era cenário de desfile de dezenas de blocos; o bloco dos índios, formado em sua maioria por uma mesma família, era sempre aguardado e admirado: todos portavam lanças e flechas executando uma coreografia bem ensaiada. O desfile das batucadas Mocidade e Chapéu de Lado, que desciam o morro da Piedade, era um dos pontos altos. Tínhamos também a batucada de Santa Lúcia e a Mocidade da Praia. Centenas de mascarados se misturavam entre bailarinas e piratas com o único propósito da diversão. Houve uma época em que os freqüentadores do Britz Bar saiam vestidos de mulher no bloco Unidos de Carapeba. Hoje são rarefeitos os blocos que resistem e saem pelas já não tão cheias ruas do centro.

Já naquele tempo os carnavais dos balneários pegavam fogo: de Conceição da Barra a Marataizes, passando por Jacaraipe, no Riviera Clube e o famosíssimo do Siribeira Clube em Guarapari; recentemente Barra do Sahi, iriri e Piuma somaram animação mas, nos dias de hoje, o mais simpático e que conserva o bom humor de velhos carnavais é o da Barra do Jucu.

Mesmo sem ter o samba ainda nascido, parece que a turma do século XIX era mais animada. Transcrevo um anúncio publicado no jornal O Espírito Santense, de 04 de fevereiro de 1875:
Alerta, Alerta! Rapaziada de Gosto!
Para que as bucólicas e estapafúrdias circunscrições apologéticas do Carnaval tenham uma importante e enigmática descrição metalúrgica sinfônica, a bem da rapaziada de gosto estrambólico, previne-se com todos os ff (efes) e rr (erres) e a respectiva pontuação preambólica que, nos dias 07, 08 e 09 do corrente, haverá passeios de mascarados ao som do rataplan mefistofélico e do eco atrás do Penedo, por isso convida-se com toda ênfase e pitoresco garbo os amantes do dito supra mencionado bródio para tão faustosos dias de pândega, lindos trajes e belas momices. 
Alerta pois o resto é sorte.
Ass.: Kikiriki

Ou então o anúncio de 31 de janeiro de 1902:

Si haveis de estar em casa
Danado como uma cobra
Curtindo a raiva dos filhos
Da vossa mulher e sogra/
Sai de máscara jocosa
Com guizos e relicário
Para dançares o can can
Lá na rua do Rosário/
Aí temos boas coisas
Bailes bons, à fantasia
Salão arejado
Que outrora não se via/
Quadrilhas e boas polcas
Maxixes e boas valsa
Deveis levar( é preciso)
Boas pernas e boas calças/
Tudo isso bem mexido
Bem dengoso e requebrados
Com pimenta e com adubos
Com graças de mascarado/
Haverá valsas  escótis
E também o contraxaxo
Eu caio, Tereza, eu caio
Por baixo do Bolimbalacho.
Ass: Sociedade Fenix Carnavalesca.


A gente volta ao assunto.


sábado, 5 de março de 2011

CARNAVAL, CARNAVAL.



O carnaval chegou. Cada um curte à sua maneira. Desde os tempos de Cristo, tanto no Egito como na Grécia, o carnaval era comemorado  em função dos períodos de colheitas ou mudanças de estações mas sempre obedecendo as mesmas características, tornando-se festas públicas, com uso de máscaras e manifestações folclóricas.


A introdução do carnaval no Brasil deu-se através do Entrudo, trazido pelos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que consistia em brincadeiras com loucas correrias, mela-mela de farinha com água de limão e ovos. O Entrudo era de mau gosto e grosserias, acontecendo num período anterior a quaresma, e  buscava radical liberdade de expressão, sentido esse que permanece até os dias de hoje no carnaval, mas sem mela-mela.

O pesquisador Ary Vasconcellos considera o período entre 1870 e 1919 como uma das fases mais encantadoras da música popular brasileira, um período que corresponderia de certa forma à Belle Époque francesa, entre 1880 e 1914. Acontece que a influência francesa era total. Os carnavais dessa época eram movidos a scótis, polcas e valsas, bem ao estilo europeu. O choro surge em 1870 e sua estrutura musical era essa. Em 1873 popularizaram-se os Ranchos, surgindo depois as Marchas-rancho, que por sua vez tinham ligações com as tradições natalinas e dia de Reis com seus pastores e pastorinhas. Como não lembrar do sucesso de carnaval “As Pastorinhas”, de Noel Rosa e Braguinha?

Havia também o Maxixe, mas eesa era uma dança proibida, um caso de polícia. As danças eram o tango, a valsa, a quadrilha, scótis ou xotes. O samba ainda não tinha ido para as ruas. Com o surgimento da lança perfume em 1899 esse tornou-se febre no carnaval de 1900, substituindo as bisnagas que só jogavam água. Nesse carnaval é lançada a marcha “Ô Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga, uma referência carnavalesca até hoje. Mas o carnaval que herdamos e se mantém até hoje, dá-se nos anos 1916, quando surge o samba e a presença das baianas nos desfiles. Os blocos eram liderados por jovens de bairros de classe média do Rio de Janeiro, embalados por choros e tangos. Era o carnaval que se moldava.  

E hoje, 2011, os blocos do Rio, centenas deles, são de classe média e o carnaval de rua carioca já está chegando perto do carnaval de Salvador em termos de adesão e animação. É o ciclo da vida. E como era o carnaval em Vitória?

Reproduzimos um anúncio publicado no jornal O Espírito Santense em 06 de fevereiro de 1887:



BAILE MASQUÉ!
Manoel José Dias tem a satisfação de por à disposição de seus amigos, durante os três dias de Carnaval, o seu salão à rua de São Francisco, mediante a entrada de 1000 (1 mil réis).
O Professor Azevedo e alguns amigos prometem executar peças de gostos para tornar mais animadas as POLCAS – VALSAS – QUADRILHAS – SCÓTIS- CANCEIROS.
É de esperar que o esmero com que pretende preparar o salão, o pessoal da música e as boas condições da casa concorrerão para provocar a atenção dos amantes do Carnaval.

A gente volta ao assunto.

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