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domingo, 18 de maio de 2014

GUINGA PAI.




GUINGA PAI.

Em 1995 encontrei Tião Neto, ex-baixista de Tom Jobim, trabalhando com partituras na Fundação Biblioteca Nacional. Indaguei sobre os rumos da vida: “Pois, é, depois que Tom foi embora, está difícil encontrar espaço para tocar”. Mas não haveria outros parceiros? “Preste atenção, tem um nome que vai reparar essa falta e o nome dele é Guinga”.

Há mais de vinte anos observo e surpreendo-me com o trabalho desse violonista/compositor que de certa forma já assustou muito ouvinte com suas incursões harmônicas e inovações no instrumento. Na última semana compareci ao Espaço Tom Jobim para mais uma vez, dentre outras raras, apreciar esse talento brasileiro. Surpreendeu-me deparar com um Guinga diferente, mais completo, mais encorpado, mais definitivo e, sobretudo, um Guinga Pai. Foi uma alegria vê-lo dividir ternamente seu espaço com jovens talentos os quais não se cansava de elogiar,  como um pai.

Estavam presentes no palco o seu parceiro letrista Thiago Amude, excelente intérprete, e um garoto levadíssimo, capaz de assombrar os mais bem avisados sobre o violão: Jean Charneaux. Foram temas divididos com absoluta maestria, lirismo e domínio sobre o instrumento. Viajamos pelos violões e temas de outrora numa esteira contemporânea, evocando Garoto, Dilermando Reis, John McLaughlin, Bill Evans, entre tantos mestres. Não se cansou também de citar o nome de Marcus Tardelli como uma das revelações da nova geração. Confesso que nunca havia visto usar-se o quinto dedo da mão esquerda, o polegar, como elemento extra na formação harmônica. Uma noite de revelações e virtuoses. Uma autêntica noite Guinga.