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segunda-feira, 2 de maio de 2011

NANA CAYMMI.


NANA CAYMMI.

Nana é a voz do coração. Ouvi Nana pela primeira vez no disco “Caymmi Visita Tom”, uma relíquia produzida por Aloisio de Oliveira pela Elenco em 1964. Ela fez 70 anos semana passada e ganhou um documentário dirigido pelo franco-suiço Gerorges Gachot, “Rio Sonata: Nana Caymmi”.

O documentário peca pela precária montagem e uma seleção de imagens do Rio um pouco duvidosa, mas é extremamente competente nas cenas em que Nana Caymmi é o alvo, resultando numa excelente reportagem cinematográfica. Um pouco da intimidade de Nana é revelada, seja pessoal ou de bastidores, e sua presença na telenona, cantando, honra seus admiradores e da família Caymmi de quebra, principalmente o Dori.

Ela conta que seu pai só compunha de cabeça e, quando sua mãe notava que ele ficava com cara de “bestalhado”, mandava todos os filhos se afastarem e fazerem silêncio absoluto na casa. Há cenas do velho Dorival reunido em família. Nana não esconde que potencializa sua emoção quando grava ou se apresenta ao vivo, deixando baixar uma tristeza ou uma enorme alegria.Há uma cena em que ela joga cartas com amigos tendo ao fundo uma gravação sua e ela exclama: “ Adoro me ouvir cantar”. Ela se considera ligada à Bossa Nova, apesar de não se achar cantora de nenhum estilo, e Milton Nascimento comenta que sua voz chamou-lhe a atenção no disco “Caymmi Visita Tom”, pois seu registro era bem agudo, contrastando com as mais contidas vozes femininas da BN.
Há um depoimento da Nana sobre o Tropicalismo em que ela diz que nunca entendeu esse movimento e que talvez só pudesse fazê-lo se alguém explicasse umas dez mil vezes. E ela foi casada com Gilberto Gil no início do movimento. Pronto, alguém certamente iria chiar.

Caetano Veloso, em sua coluna dominical, neste Primeiro de Maio, chiou, com elegância, mas chiou. Falou, falou, escreveu, escreveu, sugeriu que os “baianos” têm que ficar unidos, amizade não se joga fora, apesar das diferenças, declaradas no “Rio Sonata” e, só lendo. O artigo está em O Globo, RJ, e em A Tribuna, ES. Ele finaliza agregando um valor baiano metamusical, tipo Glauber Rocha e McLuhan, mas, que eles, baianos do tropicalismo, não desmerecem a amizade à Nana.

Nana é correta, a mais sentimental e romântica cantora da música popular brasileira desde a metade do século passado. Aos admiradores, não percam “Rio Sonata, Nana Caymmi”.