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terça-feira, 29 de maio de 2012

MAURÍCIO HEINHORN, MÚSICO BRASILEIRO.




Hoje ele faz 80 anos, uma etapa importante em sua vida e, sobretudo, uma vida respeitada, como músico, compositor e homem, que calmamente seguiu seu caminho com uma harmônica no bolso. Coisa simples.

Eu, eu, confesso que acordeom e gaita, só gênios pode executá-los: Toots Thieleman,s Art Van Damme, Tommy Gumina, Toninho Ferraguti,  entre outros, e  o Maurício Heinhorn.

  Meus parabéns ao Maurício Einhorn que conheci, nos anos 1960,  numa loja de discos na galeria Condor Do Largo do Machado, RJ. Estamos aí.

Segue abaixo trechos de uma entrevista sua concedida ao jornal O Globo, edição de 26 de maio, sábado passado

Logo após se casar pela primeira vez, em 1966, Maurício Einhorn ouviu um amigo de sua mulher lhe perguntar qual era a sua profissão.
- Músico – respondeu.
- Coitado – devolveu o homem, acometido, segundo Einhorn, do mal conhecido como  “franqueza em excesso”.
Ele ouviu muitas indelicadezas na vida.  “Qualquer um toca essa merda” é uma delas, conta.  Outra é “Porrinhola”, uma derivação de “aporrinhar”, como sinônimo de gaita.


- “Estão pagando R$ 80,00, R$ 100 a um músico para tocar. Eu vou vender limão ou amendoim,  mas não vou me submeter a isso.  Sei que há muitos colegas que se submetem, mas eles são eles, e eu sou eu.”


Einhorn estima ter 450 composições, sendo que apenas 50 gravadas.   As mais famosas têm letra e são clássicos da bossa nova: “Tristeza de nós dois”, “Batida diferente” e “Estamos aí”.
- “Ganho do exterior uns US$ 400 por ano em função de três ou quatro músicas.  No Brasil, recebo uns R$ 400 mensais por 50 músicas.  Não tenho nenhuma “Ai, se eu te pego” – brinca ele, que soma os direitos autorais à aposentadoria de R$ 1.400 para viver com mulher e filho num apartamento do Leme herdado do pai.


Sua criatividade nunca se afinou com teoria.  Teve aulas com Moacir Santos, mas confessa que cochilava às vezes.  Com Hans-Joachim Koellreutter, rateou o preço com outros dois alunos, mas logo largou.  Lê partituras lentamente.


- “Apesar de tudo, a gaita me deu grandes compensações na vida”.