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domingo, 6 de abril de 2014
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
JOHN LENNON E TOM JOBIM, NAS ALTURAS.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
15 ANOS SEM TOM JOBIM
15 anos sem Tom Jobim, ou, desafinando no tempo.
Rogério Coimbra.
Tom Jobim. Oito de dezembro. Nome e data emblemáticos. Faz 15 anos que Tom partiu, exatamente em oito de dezembro de 1994. Nesta data, oito de dezembro, comemora-se o dia da Imaculada Conceição, dogma da concepção de Maria, o símbolo da pureza. No Brasil, diversos municípios comemoram o feriado, como nossa vizinha capixaba, a Serra. Dia santo e dia também de celebrar esse músico brasileiro que se fez puro, sem manchas e que nos legou uma música límpida, por que não, imaculada. Impossível praticar uma devoção ao Tom sem resquícios de religiosidade. Afinal não se busca simplesmente a paz de espírito, o conforto da alma, através de uma música tradutora dos bons e dos aflitos sentimentos de cada interior? Tom Jobim sempre acertava ao compor, principalmente quando se tornou parceiro dele mesmo, o homem por inteiro, música e letra. Breve é o dia /breve é a vida /de breves flores /na despedida.
A gente não deve esquecer jamais o Tom Jobim, como não podemos esquecer o Villa Lobos, que partiu há exatos 50 anos, e tantos outros como o Pixinguinha, o Nazareth, o Caymmi e também o Ary Barroso. Quando embarcava para os Estados Unidos para a fatídica cirurgia para destruir o câncer em sua bexiga, às vésperas de sua morte, Tom comentou com sua irmã: Se Ary Barroso e Villa Lobos morreram, eu também posso morrer.
Recomendo duas biografias de Tom Jobim, pra ler, reler, ouvindo seus discos, que são preciosos trabalhos de pesquisa e informação dignos dele: Antônio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado, de Helena Jobim (Ed. Nova Fronteira, 1996) e Antônio Carlos Jobim, Uma Biografia, de Sérgio Cabral (Companhia Editora Nacional, 2008), além dos DVDs Maestro Soberano, em três volumes, e A Casa do Tom, em dois volumes, ambos lançados pela Biscoito Fino. Tudo incansável, eterno.
Esta é uma semana de reflexão, de saudade, de muita cisma de corações ao alto, espírito aberto. Ontem, dia 7, os poderosos iniciaram o tal encontro em Copenhague para tratar da saúde da Terra. Tom deve estar de olho. Há uma passagem em sua biografia comentando a hipocrisia alheia em diversos campos, e, por ocasião da Eco-92, um encontro internacional realizado no Rio em defesa do meio ambiente, o real casal Príncipe Charles e Lady Diana foi ao Amazonas e logo lá chegando perguntaram : E a temporada de caça, quando abre? Velha sugestão: deixar tocar a música Forever Green que o Tom compôs, à época, da Eco-92, com o filho, Paulo.
Esquisita mesmo é essa homenagem dando seu nome a um aeroporto. Não combina. Logo após sua morte tentaram nomear uma rua em Ipanema, mas não deu para mexer nos sobrenomes tradicionais já sossegados nos postes das esquinas da zona sul carioca. A última rua do Leblon, ou, a primeira, chama-se Jerônimo Monteiro, o político capixaba do início do século XX. Sobrou o Aeroporto do Galeão, uma ex-base aérea da aeronáutica. Imagino coronéis e brigadeiros traçando estratégias nas salas de comando com seus uniformes e quepes, e Tom lá do alto, sem entender bulhufas. Salvou-se o Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, lugar mais apropriado e conveniente para o maestro repousar, ou o Centro de Estudos Musicais Tom Jobim do Governo de São Paulo. Parece haver só um outro aeroporto no mundo com nome de músico: Chopin, em Varsóvia, mas conhecido como Okecie, e claro que foi idéia dos stalinistas. O resto é nome de político ou militar. E tem outra trapalhada recente. A nova estação do metrô do Rio, a da Praça General Osório, em Ipanema, estava destinada a receber o nome de Tom Jobim. Moradores e entidades protestaram no ato, com razão: vão querer mudar os mapas, a geografia, e o passageiro de primeira viagem pode até pensar que a Estação Tom Jobim pode ser a de acesso ao aeroporto.
É muito chato ficar sem Tom Jobim, com essa saudade dele, de uma música nova que nunca virá, de uma piada, de uma sacada que sobraria na mídia. No próximo mês, dia 25, Tom estaria fazendo 83 anos. Engraçado imaginar Tom octogenário. Sobre seu futuro, a velhice, já considerada por Carlos Drummond, então com 80 anos, como uma merda, conforme confidência ao amigo músico, dizia: Espero descansar, comprar uma bengala, uns óculos novos pra ver as moças de uma distância oficial. Puro chiste jobiniano. Ah, quantas canções não estaria Tom Jobim inventando. Celestiais. Como o azul da Imaculada, cheias de esperança, vida e doçura.
Em tempo: nesta mesma data, 8 de dezembro, em 1980, na mesma cidade onde Tom Jobim faleceu, Nova Iorque, John Lennon foi assassinado no meio da rua, em frente à sua casa . Imagine.
Rogério Coimbra.
Tom Jobim. Oito de dezembro. Nome e data emblemáticos. Faz 15 anos que Tom partiu, exatamente em oito de dezembro de 1994. Nesta data, oito de dezembro, comemora-se o dia da Imaculada Conceição, dogma da concepção de Maria, o símbolo da pureza. No Brasil, diversos municípios comemoram o feriado, como nossa vizinha capixaba, a Serra. Dia santo e dia também de celebrar esse músico brasileiro que se fez puro, sem manchas e que nos legou uma música límpida, por que não, imaculada. Impossível praticar uma devoção ao Tom sem resquícios de religiosidade. Afinal não se busca simplesmente a paz de espírito, o conforto da alma, através de uma música tradutora dos bons e dos aflitos sentimentos de cada interior? Tom Jobim sempre acertava ao compor, principalmente quando se tornou parceiro dele mesmo, o homem por inteiro, música e letra. Breve é o dia /breve é a vida /de breves flores /na despedida.
A gente não deve esquecer jamais o Tom Jobim, como não podemos esquecer o Villa Lobos, que partiu há exatos 50 anos, e tantos outros como o Pixinguinha, o Nazareth, o Caymmi e também o Ary Barroso. Quando embarcava para os Estados Unidos para a fatídica cirurgia para destruir o câncer em sua bexiga, às vésperas de sua morte, Tom comentou com sua irmã: Se Ary Barroso e Villa Lobos morreram, eu também posso morrer.
Recomendo duas biografias de Tom Jobim, pra ler, reler, ouvindo seus discos, que são preciosos trabalhos de pesquisa e informação dignos dele: Antônio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado, de Helena Jobim (Ed. Nova Fronteira, 1996) e Antônio Carlos Jobim, Uma Biografia, de Sérgio Cabral (Companhia Editora Nacional, 2008), além dos DVDs Maestro Soberano, em três volumes, e A Casa do Tom, em dois volumes, ambos lançados pela Biscoito Fino. Tudo incansável, eterno.
Esta é uma semana de reflexão, de saudade, de muita cisma de corações ao alto, espírito aberto. Ontem, dia 7, os poderosos iniciaram o tal encontro em Copenhague para tratar da saúde da Terra. Tom deve estar de olho. Há uma passagem em sua biografia comentando a hipocrisia alheia em diversos campos, e, por ocasião da Eco-92, um encontro internacional realizado no Rio em defesa do meio ambiente, o real casal Príncipe Charles e Lady Diana foi ao Amazonas e logo lá chegando perguntaram : E a temporada de caça, quando abre? Velha sugestão: deixar tocar a música Forever Green que o Tom compôs, à época, da Eco-92, com o filho, Paulo.
Esquisita mesmo é essa homenagem dando seu nome a um aeroporto. Não combina. Logo após sua morte tentaram nomear uma rua em Ipanema, mas não deu para mexer nos sobrenomes tradicionais já sossegados nos postes das esquinas da zona sul carioca. A última rua do Leblon, ou, a primeira, chama-se Jerônimo Monteiro, o político capixaba do início do século XX. Sobrou o Aeroporto do Galeão, uma ex-base aérea da aeronáutica. Imagino coronéis e brigadeiros traçando estratégias nas salas de comando com seus uniformes e quepes, e Tom lá do alto, sem entender bulhufas. Salvou-se o Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, lugar mais apropriado e conveniente para o maestro repousar, ou o Centro de Estudos Musicais Tom Jobim do Governo de São Paulo. Parece haver só um outro aeroporto no mundo com nome de músico: Chopin, em Varsóvia, mas conhecido como Okecie, e claro que foi idéia dos stalinistas. O resto é nome de político ou militar. E tem outra trapalhada recente. A nova estação do metrô do Rio, a da Praça General Osório, em Ipanema, estava destinada a receber o nome de Tom Jobim. Moradores e entidades protestaram no ato, com razão: vão querer mudar os mapas, a geografia, e o passageiro de primeira viagem pode até pensar que a Estação Tom Jobim pode ser a de acesso ao aeroporto.
É muito chato ficar sem Tom Jobim, com essa saudade dele, de uma música nova que nunca virá, de uma piada, de uma sacada que sobraria na mídia. No próximo mês, dia 25, Tom estaria fazendo 83 anos. Engraçado imaginar Tom octogenário. Sobre seu futuro, a velhice, já considerada por Carlos Drummond, então com 80 anos, como uma merda, conforme confidência ao amigo músico, dizia: Espero descansar, comprar uma bengala, uns óculos novos pra ver as moças de uma distância oficial. Puro chiste jobiniano. Ah, quantas canções não estaria Tom Jobim inventando. Celestiais. Como o azul da Imaculada, cheias de esperança, vida e doçura.
Em tempo: nesta mesma data, 8 de dezembro, em 1980, na mesma cidade onde Tom Jobim faleceu, Nova Iorque, John Lennon foi assassinado no meio da rua, em frente à sua casa . Imagine.
16 ANOS SEM TOM JOBIM.
16 Anos sem Tom Jobim.
Rogério Coimbra.
Oito de dezembro. Tom Jobim. Data e nome emblemáticos. Já escrevi isso por ocasião dos 15 anos sem Tom Jobim. A gente não deve esquecer, apagar. Oito de dezembro é quando no Brasil centenas de cidades comemoraram o dia de sua padroeira, Nossa Senhora da Boa Concepção, a Imaculada Conceição, entre elas Recife, Belo Horizonte, Angra do Reis e, no Espírito Santo Guarapari, Conceição da Barra e Serra, quando se inicia o ciclo natalino que vai até 20 de janeiro. Festas, folguedos, devoção. Um dia santo no qual foi-nos levado o maestro, no qual foi encantado.
Tom Jobim, além de ser escutado, tem que ser lido. Há sempre uma surpresa em suas palavras, um toque de sabedoria, algo esclarecedor, seja com sarcasmo, ou humor, ou com profundidade, atualidade. Nesse momento em que nos deparamos diante da televisão para assistir a espetacularização da tomada dos chamados territórios de traficantes no Rio de Janeiro, nos morro do Cruzeiro e do Alemão, com a polêmica participação das Forças Armadas, Tom Jobim, há 16 anos, pouco tempo antes de sua morte, concedeu uma série de entrevistas e vale destacar essa oportuna declaração sobre a polêmica de o Exército ocupar os morros para combater o tráfico: Você tem que controlar a situação que está aí. Em caso de perigo, ou mato ou morro. Nós temos uma coisa muito hipócrita. Queremos que tudo seja bom, sem o Exército na rua., sem subir o morro. Nos Estados Unidos quando a coisa piora, aparece a polícia e, se ela não der conta, aparece o Exército com tanques e canhões. Mas dizer que é favor do Exército nas ruas é antipático. Temos essa hipocrisia.” (“Antônio Carlos Jobim Uma Biografia”, por Sérgio Cabral; p 393-Lazuli Ed.)
Mesmo longe ele sempre está por perto. Seu envolvimento com as questões da natureza sempre esteve à frente de sua própria criação, o envolvimento com o mágico, com o telúrico, sem perder a delicadeza de tatear a alma dos mortais. Como é bom ouvir Tom Jobim e lê-lo também, repito.
E não há como escapar desta data de oito de dezembro: são 30 anos sem John Lennon( the dream is over). E este ano de 2010 tão cheio de lembranças completando 30 anos sem Bill Evans, 30 sem Cartola, e, 40 anos sem Jimmy Hendrix. É muita coisa.
Como é fecunda a herança desses mestres cujos tópicos ainda desconhecidos possam surgir para nós num longo tempo para admirá-los. Saravá.
Rogério Coimbra.
Oito de dezembro. Tom Jobim. Data e nome emblemáticos. Já escrevi isso por ocasião dos 15 anos sem Tom Jobim. A gente não deve esquecer, apagar. Oito de dezembro é quando no Brasil centenas de cidades comemoraram o dia de sua padroeira, Nossa Senhora da Boa Concepção, a Imaculada Conceição, entre elas Recife, Belo Horizonte, Angra do Reis e, no Espírito Santo Guarapari, Conceição da Barra e Serra, quando se inicia o ciclo natalino que vai até 20 de janeiro. Festas, folguedos, devoção. Um dia santo no qual foi-nos levado o maestro, no qual foi encantado.
Tom Jobim, além de ser escutado, tem que ser lido. Há sempre uma surpresa em suas palavras, um toque de sabedoria, algo esclarecedor, seja com sarcasmo, ou humor, ou com profundidade, atualidade. Nesse momento em que nos deparamos diante da televisão para assistir a espetacularização da tomada dos chamados territórios de traficantes no Rio de Janeiro, nos morro do Cruzeiro e do Alemão, com a polêmica participação das Forças Armadas, Tom Jobim, há 16 anos, pouco tempo antes de sua morte, concedeu uma série de entrevistas e vale destacar essa oportuna declaração sobre a polêmica de o Exército ocupar os morros para combater o tráfico: Você tem que controlar a situação que está aí. Em caso de perigo, ou mato ou morro. Nós temos uma coisa muito hipócrita. Queremos que tudo seja bom, sem o Exército na rua., sem subir o morro. Nos Estados Unidos quando a coisa piora, aparece a polícia e, se ela não der conta, aparece o Exército com tanques e canhões. Mas dizer que é favor do Exército nas ruas é antipático. Temos essa hipocrisia.” (“Antônio Carlos Jobim Uma Biografia”, por Sérgio Cabral; p 393-Lazuli Ed.)
Mesmo longe ele sempre está por perto. Seu envolvimento com as questões da natureza sempre esteve à frente de sua própria criação, o envolvimento com o mágico, com o telúrico, sem perder a delicadeza de tatear a alma dos mortais. Como é bom ouvir Tom Jobim e lê-lo também, repito.
E não há como escapar desta data de oito de dezembro: são 30 anos sem John Lennon( the dream is over). E este ano de 2010 tão cheio de lembranças completando 30 anos sem Bill Evans, 30 sem Cartola, e, 40 anos sem Jimmy Hendrix. É muita coisa.
Como é fecunda a herança desses mestres cujos tópicos ainda desconhecidos possam surgir para nós num longo tempo para admirá-los. Saravá.
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